Você já acordou no meio da noite e não conseguiu se mover? Ou viu algo inexplicável? Saiba o que aco


O que é a paralisia do sono?

Todos os meses eu tenho uma experiência aterrorizante no meio da noite.

Eu acordo, mas não consigo me mover, exceto meus olhos que mexo freneticamente debaixo das pálpebras. Sinto uma presença pesada sobre o meu peito, comprimindo o ar dos meus pulmões e garganta.

Eu não estou sonhando. E não importa quantas vezes isso aconteça, o pânico se instala. Quando criança, eu pensava que o diabo visitava meu quarto.

Agora eu sei que estes sintomas decorrem de um fenômeno do sono chamado paralisia do sono.

“Quando você está experimentando uma paralisia do sono, você se torna consciente”, afirma Daniel Denis, doutorando em Neurociência Cognitiva e pesquisador do Projeto Paralisia do Sono. “A ideia é que a sua mente acorda, mas o seu corpo não.”


Por que você não consegue se mover?

O sono tem três ou quatro estágios de sono não REM (Rapid Eye Moviment) e um estado de sono REM. Enquanto as pessoas podem sonhar em qualquer fase, a fase REM é mais intimamente associada aos sonhos vívidos, que parecem reais.


O cérebro também permanece ativo durante a fase REM “quase comparável ao período de vigília” – explica Denis. Pessoas naturalmente ficam paralisadas durante o estágio REM, provavelmente para prevenir movimentos iguais aos do sonho, evitando que se machuquem, um processo chamado atonia REM.

Muitos daqueles que acordam durante este estágio simplesmente abrem seus olhos e rapidamente começam a se movimentar. Mas aqueles que vivenciam uma paralisia do sono sofrem uma espécie de falha, cita Denis. Por alguma razão, a atonia REM continua após o despertar. A maioria desses episódios duram de poucos segundos a um minuto, mas em alguns casos raros pode levar de dez a quinze minutos para que os movimentos sejam totalmente recuperados.

Sobre aquele meu amigo sombrio, pesquisadores não têm melhores explicações. Para começar, eu poderia ter experimentado uma interpretação criada pelo meu cérebro sobre mim mesmo. Os lobos parietais podem monitorar os neurônios em meu cérebro dizendo aos meus membros para se moverem, de acordo com um estudo da UC San Diego, publicado no jornal Medical Hypotheses. Como eles não conseguem, o cérebro alucina o movimento pretendido.

Denis cita que o “intruso” pode também ser efeito de uma amígdala (parte do cérebro responsável pela percepção do medo, dentre outras atribuições) bastante ativa. “Você acorda com sua amígdala gritando: ‘Há uma ameaça!’ ” ele explica. “Então seu cérebro tem de inventar algo para consertar o paradoxo da amígdala que foi ativada sem motivo.”.


As experiências

Um dos primeiros estudos aprofundados em paralisia do sono ocorreu em 1999 e definem três categorias principais de alucinações na paralisia: “pesadelo”, “o intruso” e “experiências corpóreas incomuns.”

No primeiro caso, as pessoas sentem uma intensa pressão no peito, dando a impressão de que não conseguem respirar.

Como os autores mencionam, a paralisia do sono afeta somente a “percepção da respiração.” Não há interrupção na respiração, “quando se está em REM, a respiração é mais superficial e as vias respiratórias tornam-se constritas”. A sensação desconfortável de falta de ar só ocorre devido ao medo.

Segundo os estudiosos, as pessoas que experimentam a segunda categoria, a “o intruso”, podem ter uma sensação de presença, medo e alucinações visuais e auditivas. A mente inventa a visão para resolver algum paradoxo que ocorre durante a paralisia do sono. Os autores descrevem que nesse momento o mesencéfalo (parte do encéfalo, responsável por funções como visão, audição, movimento dos olhos e do corpo) está bastante vigilante, por isso é possível perceber os menores estímulos e por algum motivo interpretá-los como sinal de perigo.

O intruso e o pesadelo caminham lado a lado. Ambos sintomas ocorrem ativados pela percepção de ameaça na amígdala. Algumas pessoas até relatam o intruso e o pesadelo como a vivência de alguém as sufocando, diz Denis. Mas o terceiro tipo de alucinação na paralisia do sono, experiências corporais incomuns, são menos frequentes.

São relatadas como ocorridas fora do corpo, impressões de levitação, de vôos ao redor do quarto. Segundo Denis, a função das estruturas cerebrais que inibem os movimentos durante o sono cai, e a sensação é de que há movimento do corpo, quando na verdade não há.


Wikimedia Commons


Mitos e folclore

A cultura tem uma forte influência e pode direcionar as alucinações e experiências. Como exemplo, alguém de família cristã pode fantasiar a aparição de um demônio. Denis afirma que a cultura atual do ocidente tende a ver assaltantes, estupradores e alienígenas.


Prevenção

A paralisia pode ser hereditária, mas pode também acontecer a qualquer um. Fatores como falta de sono, distúrbios do sono, exaustão, depressão, ansiedade e estresse podem aumentar as chances de ocorrência. Os episódios também são associados à hipertensão, convulsões e narcolepsia – distúrbio no qual se perde a habilidade de regulação do ciclo do sono, que pode ocorrer em qualquer momento.

Para prevenir um incidente, pode-se tentar reduzir e regular a quantidade de sono, caso se durma menos do que o necessário. Convém mencionar que há incidência de três a quatro maior em pessoas que dormem com a barriga para cima.

Segundo Denis, caso se perceba paralisado ao acordar, concentre-se em mexer um dedo do pé ou da mão, pois assim que um músculo se move, toda a paralisia se desfaz.


Fonte: BusinessInsider. Tradução e adaptação Cuca Consciente.


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